segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Antagonismo Existencial
Foram estas as palavras que Jane precisou dizer antes de o ver partir.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A voz do Silêncio
...E naquela noite nada mais conseguia existir.
Nada preencheria o vazio causado pelas palavras nunca ditas e de todos os sonhos não sonhados.
Era apenas o vazio...
O vazio dos dias cheios de silêncio em um mundo que parecia não fazer sentido.
Deitada na cama a ouvir o silêncio de um mundo que não ousava respirar, ela procurava pela estrela que a guiaria. O lugar tinha que existir. Esse lugar que vivia e gritava dentro dela.
Aquele sonho devia existir em um outro mundo qualquer além do infinito e negro céu, além do que era possível ver.
“Mas quem sente com alma jamais precisou de olhos” ela ouvira dizer.
Na escuridão de um gélido quarto, Clara esperava que as estrelas do céu a levassem dali...
E ao fechar os olhos, Clara sorriu ao ouvir o que o silêncio lhe dizia:
“Siga as estrelas, eles te levarão até mim...”.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
"O que adianta acordar todos os dias, tomar meu banho quente e engolir rapidamente alguma coisa pra preencher o vazio do meu estomago se minha alma continua vazia?"- era o que o jovem John se perguntava todos os dias.
Fazia muito tempo que buscava por algo. Uma nova idéia, uma esperança que desse sentido a dias vazios e pateticamente iguais. Todas as pessoas pareciam agir como em 'modo automático'. Todas elas, sem exceção tinham a mesma aparência, a mesma expressão no rosto, vestiam as mesmas roupas e falavam sobre os mesmo assuntos. Ele também já fora assim um dia, nem se lembrava a quanto tempo tinha mudado, ou que feitiço o fez acordar da prisão em que vivia e jogá-lo à uma queda livre de incertezas, tudo que ele sabia é que certa vez acordara se sentindo vazio, ansiando por uma resposta, por algo que pudesse preencher a lacuna que a perda da coletividade havia deixado.
Desde que acordara desse estranho mundo homogêneo em que vivia John tentava, em vão, preencher as lacunas de sua existência... Vivia em meio à livros, procurara doutrinas que pudessem explicar o que diabos estava vivendo, alguma coisa que pudesse apontar o caminho...
Enquanto batia a porta de casa sem se despedir dos familiares, que ultimamente pareciam apenas figuras apáticas como personagens secundários de um romance , John aumentava o volume de seu ipod, ultimamente essa tinha sido a única saída para sua angustia; esperava que alguma combinação harmônica pudesse despertar nele algo que mudasse sua vida, que pudesse torna-lo livre...mas tudo que tinha conseguido até o momento era se livrar de conversas sobre o tempo, ou sobre a ultima fofoca internacional... Pelo menos assim se mantia afastado...
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Afastado...
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Um barulho tira o velho e cansado John de seu devaneio matinal...
Quanto tempo havia se passado? Nos últimos 50 anos tudo parecia tão vazio... Se sentia fraco, seus sentidos estavam turvos. "De que adianta acordar?..." - naquela manhã John dera seu ultimo suspiro, um sorriso transmitia a paz tão esperada. Achara a resposta. Estava livre enfim...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Atalhos...
"Ela estava parada em uma encrusilhada da estrada. Qual caminho escolher?
Nunca parara para pensar sobre bifucarções no caminho, tinha traçado seu objetivo, pensara em seguir direto para ele, como um cavalo que apenas segue em frente e nada vê ao redor; ela tinha colocado sua viseira mental.
Mas a vida tem a incorrigível mania de causar duvidas, trazer surpresas...E agora ela não sabia o que fazer. 'Qual caminho devo seguir?' ela se perguntava. Não queria escolher, ela nunca foi boa em tomar decisões, ela nunca foi boa em seguir seus proprios passos, em fazer suas proprias regras...Era mais seguro, fazer o caminho conhecido, seguir a maré, obedecer aos padrões.
Ela estava confusa, e ja tinha perdido muito tempo. Sentada no meio da estrada, no limite entre as duas estradas, ela era apenas alguém que não sabia para onde ir.
Mas, derrepente uma luz à esquerda a atraiu. O sol estava se pondo, provocando nela uma incrivel atração , como uma seta reluzente, apontando o caminho. Ela nunca gostou dessa classificação e tudo que isso significava: O lado esquerdo, o lado oposto, o impar...aquele que não seguia os padrões.
Assim se dera conta, aquele era um atalho.
Se seguisse pela direita, continuaria seu caminho, o caminho seguro, o caminho esperado, o caminho onde nada de especial aconteceria.
Mas o sol estava lá...Oh, o sol...brilhando tão forte, trazendo paz, esperança, alegria a uma menina que nunca pudera sentir a liberdade de apenas ser alguém...alguém que cria seus proprios caminhos. Será que é realmente tão ruim? Tomar o caminho menos convencional? Sentir a liberdade e a ansia por um novo passo...?
Ana estava fascinada, seguia o sol como uma criança que corre atraz de um pequeno e doce coelhinho, como alice seguira o gato; e isso fez nascer outra Ana, a que sabia viver com suas proprias escolhas."
domingo, 6 de janeiro de 2008
O Jogo do Espelho
Parecia tão deslocado na minha vida de agora.
O Jogo: do tempo em que eu não era uma pacata dona-de-casa com filhos criados, mas uma menina sem mãe; que inventava o jogo do espelho pra ser menos infeliz.
A gente sentava na frente de outra menina e encarava: tão intensamente, com tamanho fervor e tanta vontade de a ver mudar, que a imagem aos poucos perdia seus contornos; ficava um borrão.
Por detrás do reflexo familiar ia-se formando outro alguém. De início, sorrateiro; depois, dominando tudo com seu poderoso olhar.
Seu nome também era: Alice.
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Ela: o contrário de mim, meu reverso. Sempre à espera, por baixo da superficie. Livre pra detestar tudo o que, aqui fora, eu era obrigada a aceitar.
Alice, a dividida: foi assim que me senti essa manhã, um pouco aborrecida por rer de viajar. Estreitei os olhos, avaliando detalhes desre rosto: mais um pouco, serão cinqüenta anos.
A essa altura, o pior passou: as dúvidas, as inquietações, encobertas pelas águas da rotina. Sou apenas uma dona-de-casa, vida exclusivamente doméstica, marido e dois filhos que já são quase homens e nunca me deram preocupação.
Mas hoje sou obrigada a sair dessa concha: por um fim de semana, estarei na casa onde meu pai mora faz alguns anos, com minha irmã mais moça, Evelyn, e seu marido. Uma cidade próxima, uma hora de ônibus. Para que todo um fim de semana? Bastaria um encontro rápido, uma tarde talvez.
Não gosto de sair de casa; detesto viajar sozinha, e meu marido recusou-se a vir: afinal, disse, não era problema dele.
Se eu quisesse poderia ir. Então resolvi aceitar, mas, como não estou habituada a tomar decisões, fiquei inquieta.
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(Não estarei andando à beira do abismo, as úmidas asas movendo-se no casulo...O que aconteceria se eu aceitasse incondicionalmente os convites de Alice e me enfiasse com ela em seu caminho de tantos reflexos?)
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Eu brincava assim na meninice: de não ser eu. Não a coitada filha daquele Professor a quem ninguém apreciava; mas outra Alice - poderosa, inconquistável.
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( Tudo fantasia. Mais tarde habituei-me à minha vida doméstica e segura; fora dela fico desamparada como um bicho que, despido da casca, expõe um corpo viscoso e mole, onde qualquer caco de vidro no chão pode penetrarm liquidando essa vida rastejante.)
Lya Luft - Reunião de Família. (trecho)
quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Clara estava em pé na varanda, olhando o mar revolto que batia nas pedras à beira da praia, o vento soprava em teu rosto de porcelana, e balançava seus longos cabelos negros. Nesse momento a doce menina tinha os olhos perdidos em algum ponto da imensidão de nuvens cinzentas que começavam a tomar conta de um céu que até pouco tempo era de um intenso azul.
Nem eu saberia dizer ao certo quanto tempo havia transcorrido, desde o primeiro pensamento, desde que Clara pulou de ponta e mergulhou em seus sentimentos...
Ela sabia que muita coisa tinha mudado, e que mais mudanças estavam por vir, mesmo não sabendo dizer se aquilo lhe fazia bem ou mal.
Em algum momento de seu profundo mergulho sentiu todo o calor de seu corpo se esvair de uma vez, seria apenas uma rajada de vento? Ela gostaria de acreditar que sim, mas no fundo sabia que aquilo nada mais era do que seu coração lembrando-lhe de que as vezes é impossivel entender ou até mesmo aceitar algumas coisas que acontecem...Foi exatamente ai que começamos essa história.
Era tão triste perceber que as coisas haviam mudado de uma maneira irremediável sem que ela pudesse notar. Talvez teria sido menos cruel se tudo tivesse sido derrepente, que tudo tivesse sido visivel, seria mais compreensivel ao menos, já que mesmo após tanto tempo, Clara não conseguia saber em que momento a vida a levou para longe...Para longe da pessoa que ela mais precisava. Tudo que sabia, era que já era tarde para voltar, pois a chuva e os ventos haviam apagado suas pegadas na desconhecida trila que havia tomado.
"Eramos tão unidos, tão felizes, eramos fortes e juntos poderiamos passar por qualquer problema..."
Sempre havia sido assim, e Clara sabia que agora ela nada mais era do que uma pode menininha idefeza, Clara estava sem seu guia, sem seu anjo da guarda, como se aquilo fosse um castigo dos Deuses...O que teria feito para perder assim o rumo de seus passos? Será que enquando observava as estrelas o mundo apenas à mudou de lugar?
O barulho de uma forte trovoada trouxe clara de volta à uma varanda mal iluminada. Clara respirou profundamente enquanto as primeiras gotas anunciavam um grande temporal vindo das nuvens negras que agora cobriam todo o azul de outrora... Tudo que restava era esperar o temporal acabar, e torcer para que com a chegada de um novo dia de luz e calor, Clara pudesse enxergar o melhor caminho a seguir...
sábado, 10 de novembro de 2007
Epifania
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio-relógio mostra o tempo errado... aperte o ‘Play’
Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista, não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa... é a minha lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais... depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar... eu já comprei
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando to a fim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...Agora eu sei. (Coisas que eu sei - Danni Carlos)
(....)

E finalmente, ela sentia que estava vendo o quadro por completo, pela primeira vez.
Ela sabia de coisas a tanto tempo, faltava-lhe apenas descobrir aonde estavam escondidas as memorias e sentimentos certos, para entrar em harmonia com ela mesma.
Ela respirou fundo, sentada na cadeira que dava para a vista da janela.
Ela sorriu..
Seu esperado momento de epifania estava acontecendo. Ela sabia...
Ela sabia de tantas coisas, e podia ver o mundo da maneira certa enfim...
E, ali, sentada, ela deixou os momentos transcorrerem...da maneira que ele escolhesse passar. Ela não mais se preocupava no minuto que viria a seguir. Era apenas ela, seu mundo imerso de paz e magia...E nada mais.
(...)
sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"- Poderia dizer-me, por favor, que caminho deverei tomar a partir daqui?” - perguntou Alice.
“- Isso depende muito de onde queres ir” - respondeu o Gato de Cheshire. "Podes seguir conosco"
"- Mas eu não quero andar com loucos "- Observou Alice.
"- Oh, você não tem como evitar"; disse o Gato, "- Somos todos loucos por aqui...Eu sou louco. Você é louca!"
"- Como é que sabe que eu sou louca?" -Disse Alice.
"- Você deve ser;" disse o Gato; "Se não, não teria vindo pra cá."
Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, 1865
A realidade é sempre mais sutil do que podemos perceber da nossa posição alienada que é nosso proprio mundo.
Tenho ouvido por toda a parte que o mundo está um caos e que chegamos a um ponto insustentavel. Mas será?
Estamos todos tão presos à imagem de nossos próprios pés, que não conseguimos ao menos saber pra onde estamos indo, ou por quem passamos.
Julgar pessoas, atitudes e comportamentos é tudo que fazemos e assim nos esquecemos que não somos os donos da razão.
Vivemos, todos nós, presos ao nosso proprio mundo. Estamos todos olhando apenas para nossos pés, enquanto andamos rumo à lugar nenhum.
A verdade é que o 'mundo real' seria bem menos cruel se apenas deixassemos de lado as fantasias e os contos de fadas que nunca virão, e começassemos a tentar enxergar, mesmo que de relance ao que está à nossa volta. Desprender-se das amarras da "razão" pode significar mais do que apenas ser louco...
Mas... Quem sou eu pra dizer o que é certo.
É, talvez eu seja mesmo louca. ;)
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
O preço da Decisão

Indecisão, é quando você sabe muito bem o que quer,mas acha que devia querer outra coisa.
...............
Decidir-se então é o dilema de todo ser humano.
Porque algo que deveria ser tão simples se torna tão complicado as vezes?
Digo que deveria ser simples, porque decidir é tudo oque fazemos, é tudo oque vivemos.
Cada pequena coisa que fazemos todos os dias nada mais é que resultado de uma decisão mesmo que não consciente. Vivemos nun mundo de probabilidades que caem a cada momento que escolhemos o que fazer de nossas vidas: Pra onde olhar, o que comprar, o que comer, com quem conviver.
Decisões, e nada mais. Tudo é uma escolha diária.
Mas, qual é o peso de uma decisão?
Pode não parecer mas tudo pesa muito mais do que aparenta, porque um pequeno ponto, uma vírgula a mais [ou a menos], uma palavra não dita ou acrescentada, um sorriso à um estranho, ou apenas um olhar pode mudar grande parte do que virá a acontecer.
Às vezes tudo o que queremos é ter a chance de não escolhermos tudo...Seria muito mais simples assim; culpar o acaso, o destino, Deus ou qualquer outra força maior que rege o universo. Mas infelizmente tudo acontece à partir de decisões, e chega uma hora em que nos deparamos com as situações mais inusitadas, e nos perguntamos 'aonde foi que eu errei?'.
É nessa hora, nesse momento em que nos desiludimos, pois, a verdade sempre aparece para quem quer ver. Como ouvi uma vez, a desilusão nada mais é que uma visita da verdade. Pode doer, mas essa é a verdade, você é 100% responsável por tudo oque acontece na sua vida, isso é muito mais do que destino, carma, ou oque quer que você tenha aprendido durante a sua vida, isso é lei, Lei de ação e reação.
O preço da decição é o seu futuro. Oque você vai viver amanhã...Ou daqui a 20 anos.
E tudo isso está nas suas mãos. A decisão é sua.
sábado, 21 de julho de 2007

Muitas das vezes apenas seguimos em frente, sem sequer nos darmos conta de como tudo se apresenta a nossa volta.
Damos passos vacilantes rumo ao nada, vindos de lugar nenhum. Até onde nossos olhos podem ver? Nem tudo é oque parece. Na verdade, quase tudo é exatamente oque não parece ser.
Oque é a realidade?
Até onde estamos seguros nesse mundo entre o real e o abstrato?
As histórias nos mostram um mundo de fantasias e ilusões, um mundo onde tudo pode acontecer, mas normalmente nos encontramos presos ás amarras da razão, da imagem esperada, do padrão imposto, como se isso fosse a verdade; a unica verdade.
Existem muitas verdades. Cada individuo é um mundo novo, e cada passo pode nos levar ao limite do real.
Bem vindo ao lugar onde tudo pode acontecer. Esqueça seus medos, as regras, os padrões e tudo oque te prende nun caminho que todos sabemos que dará aonde muitos terminam...
Reveja seus conceitos, abra os olhos para o novo, para o que nasce a cada dia. Não tenha medo de mudar de direção, pois o caminho do óbvio só pode te levar aonde muitos ja chegaram.
Aonde você vai estar amanha?
Bem vindo ao Baú das Ilusões
Feche seus olhos. Abra sua mente!
