"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."  - Clarice Lispector

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A voz do Silêncio

...E naquela noite nada mais conseguia existir.

Nada preencheria o vazio causado pelas palavras nunca ditas e de todos os sonhos não sonhados.

Era apenas o vazio...

O vazio dos dias cheios de silêncio em um mundo que parecia não fazer sentido.

Deitada na cama a ouvir o silêncio de um mundo que não ousava respirar, ela procurava pela estrela que a guiaria. O lugar tinha que existir. Esse lugar que vivia e gritava dentro dela.

Aquele sonho devia existir em um outro mundo qualquer além do infinito e negro céu, além do que era possível ver.

“Mas quem sente com alma jamais precisou de olhos” ela ouvira dizer.

Na escuridão de um gélido quarto, Clara esperava que as estrelas do céu a levassem dali...

E ao fechar os olhos, Clara sorriu ao ouvir o que o silêncio lhe dizia:

“Siga as estrelas, eles te levarão até mim...”.