"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."  - Clarice Lispector

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

"O que adianta acordar todos os dias, tomar meu banho quente e engolir rapidamente alguma coisa pra preencher o vazio do meu estomago se minha alma continua vazia?"- era o que o jovem John se perguntava todos os dias.

Fazia muito tempo que buscava por algo. Uma nova idéia, uma esperança que desse sentido a dias vazios e pateticamente iguais. Todas as pessoas pareciam agir como em 'modo automático'. Todas elas, sem exceção tinham a mesma aparência, a mesma expressão no rosto, vestiam as mesmas roupas e falavam sobre os mesmo assuntos. Ele também já fora assim um dia, nem se lembrava a quanto tempo tinha mudado, ou que feitiço o fez acordar da prisão em que vivia e jogá-lo à uma queda livre de incertezas, tudo que ele sabia é que certa vez acordara se sentindo vazio, ansiando por uma resposta, por algo que pudesse preencher a lacuna que a perda da coletividade havia deixado. 

Desde que acordara desse estranho mundo homogêneo em que vivia John tentava, em vão, preencher as lacunas de sua existência... Vivia em meio à livros, procurara doutrinas que pudessem explicar o que diabos estava vivendo, alguma coisa que pudesse apontar o caminho... 

Enquanto batia a porta de casa sem se despedir dos familiares, que ultimamente pareciam apenas figuras apáticas como personagens secundários de um romance , John aumentava o volume de seu ipod, ultimamente essa tinha sido a única saída para sua angustia; esperava que alguma combinação harmônica pudesse despertar nele algo que mudasse sua vida, que pudesse torna-lo livre...mas tudo que tinha conseguido até o momento era se livrar de conversas sobre o tempo, ou sobre a ultima fofoca internacional... Pelo menos assim se mantia afastado...

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Afastado...

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Um barulho tira o velho e cansado John de seu devaneio matinal...

Quanto tempo havia se passado? Nos últimos 50 anos tudo parecia tão vazio... Se sentia fraco, seus sentidos estavam turvos. "De que adianta acordar?..." - naquela manhã John dera seu ultimo suspiro, um sorriso transmitia a paz tão esperada. Achara a resposta. Estava livre enfim...