"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."  - Clarice Lispector

sexta-feira, 26 de outubro de 2007





"- Poderia dizer-me, por favor, que caminho deverei tomar a partir daqui?” - perguntou Alice.
“- Isso depende muito de onde queres ir” - respondeu o Gato de Cheshire. "Podes seguir conosco"
"- Mas eu não quero andar com loucos "- Observou Alice.
"- Oh, você não tem como evitar"; disse o Gato, "- Somos todos loucos por aqui...Eu sou louco. Você é louca!"
"- Como é que sabe que eu sou louca?" -Disse Alice.
"- Você deve ser;" disse o Gato; "Se não, não teria vindo pra cá."
Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, 1865



A realidade é sempre mais sutil do que podemos perceber da nossa posição alienada que é nosso proprio mundo.
Tenho ouvido por toda a parte que o mundo está um caos e que chegamos a um ponto insustentavel. Mas será?
Estamos todos tão presos à imagem de nossos próprios pés, que não conseguimos ao menos saber pra onde estamos indo, ou por quem passamos.
Julgar pessoas, atitudes e comportamentos é tudo que fazemos e assim nos esquecemos que não somos os donos da razão.
Vivemos, todos nós, presos ao nosso proprio mundo. Estamos todos olhando apenas para nossos pés, enquanto andamos rumo à lugar nenhum.
A verdade é que o 'mundo real' seria bem menos cruel se apenas deixassemos de lado as fantasias e os contos de fadas que nunca virão, e começassemos a tentar enxergar, mesmo que de relance ao que está à nossa volta. Desprender-se das amarras da "razão" pode significar mais do que apenas ser louco...
Mas... Quem sou eu pra dizer o que é certo.
É, talvez eu seja mesmo louca. ;)